Demissões na Xbox devem reduzir drasticamente o ritmo de conteúdo de The Elder Scrolls Online
As recentes demissões que atingiram a ZeniMax Online Studios devem reduzir significativamente o ritmo de atualizações de The Elder Scrolls Online. Uma ex-desenvolvedora afirma que a equipe não conseguirá mais produzir conteúdo na velocidade planejada anteriormente.
As recentes demissões promovidas pela Xbox devem ter consequências diretas para o futuro de The Elder Scrolls Online. Após a ZeniMax Online Studios ser novamente afetada por cortes, uma ex-integrante da equipe afirmou que o MMORPG não conseguirá manter o mesmo ritmo de produção de conteúdo.
A declaração foi feita por Morgan Goin, ex-Senior Encounter Designer do estúdio, em entrevista à BBC. Segundo a desenvolvedora, a redução da equipe significa que a quantidade e a velocidade das futuras atualizações terão de diminuir consideravelmente.
"Não conseguiremos lançar a quantidade de conteúdo na velocidade em que estávamos... ou qualquer coisa próxima disso."
A situação chama atenção especialmente porque The Elder Scrolls Online continua sendo um dos projetos mais importantes e bem-sucedidos da ZeniMax Online Studios, além de ter recebido recentemente uma reformulação em sua estratégia de conteúdo.
Demissões devem afetar diretamente o ritmo de The Elder Scrolls Online
A ZeniMax Online Studios já havia sido profundamente afetada por uma rodada anterior de cortes, que também culminou no cancelamento de Project Blackbird, um ambicioso jogo online de ficção científica que estava em desenvolvimento havia anos.
O cancelamento do projeto teria afetado centenas de profissionais ligados à produção e também foi seguido pela saída do fundador da ZeniMax Online Studios, Matt Firor. Posteriormente, o executivo classificou o fim de Blackbird como uma oportunidade perdida para a Xbox.
Com o projeto cancelado, o estúdio voltou a concentrar esforços em seu principal produto: The Elder Scrolls Online. Ao mesmo tempo, a equipe começou a abandonar o tradicional modelo baseado em grandes expansões anuais para apostar em uma estrutura sazonal mais flexível.
A mudança permitiu que os desenvolvedores planejassem novos sistemas e experiências para os próximos anos, incluindo conteúdos diferentes daqueles tradicionalmente associados ao MMORPG. Entre as ideias apresentadas para o futuro estavam até mesmo batalhas navais.
No entanto, uma nova rodada de cortes atingiu o estúdio justamente após a chegada da primeira temporada desse novo modelo. Como consequência, a própria ZeniMax Online Studios já havia reconhecido que seus planos precisariam ser revisados.
Equipe teria passado semanas sem saber quem seria demitido
Além do impacto no desenvolvimento do jogo, Morgan Goin também comentou sobre o clima interno durante o período que antecedeu as demissões. A desenvolvedora, que fazia parte do comitê de negociação sindical do estúdio, afirmou que os funcionários sabiam que algo poderia acontecer, mas não tinham informações claras sobre a dimensão dos cortes.
"Fomos pegos de surpresa. Sabíamos que algo aconteceria com alguém, mas não sabíamos com quem ou em qual escala. O que restou foi muita incerteza durante cerca de um mês."
O relato reforça que a preocupação não estaria relacionada apenas ao número de profissionais desligados, mas também ao impacto que a perda de conhecimento acumulado pode provocar em um jogo com mais de uma década de desenvolvimento e manutenção contínua.
The Elder Scrolls Online não estaria enfrentando problemas de desempenho
Outro ponto que torna os cortes particularmente relevantes é a situação comercial de The Elder Scrolls Online. O MMORPG já ultrapassou a marca de US$ 2 bilhões em receita acumulada e continua recebendo novos jogadores e atualizações.
Uma fonte anônima ligada à ZeniMax Online Studios afirmou ao Game Developer que, de acordo com as informações apresentadas internamente, o desempenho do jogo não indicava uma situação de crise.
"Todas as informações que estavam disponíveis para nós nas reuniões mostravam que estávamos indo bem. Estávamos nos pagando e melhorando as métricas que a Microsoft queria que melhorássemos."
Se esse cenário estiver correto, as demissões representam uma decisão particularmente significativa para a estratégia da Xbox. Em vez de reduzir uma operação deficitária, os cortes teriam atingido uma equipe responsável por um produto estabelecido, lucrativo e com planos de expansão para os próximos anos.
Contratar profissionais externos não resolveria o problema rapidamente
Uma possível alternativa para compensar a redução da equipe seria ampliar o uso de empresas terceirizadas e desenvolvedores externos. Entretanto, fontes ligadas ao estúdio indicam que essa solução teria limitações importantes no caso de The Elder Scrolls Online.
O MMORPG utiliza uma tecnologia proprietária desenvolvida internamente, o que significa que novos profissionais precisam passar por um período considerável de adaptação antes de conseguir trabalhar de maneira eficiente na produção de conteúdo.
Segundo uma das fontes citadas, um novo integrante poderia levar pelo menos seis meses para adquirir conhecimento suficiente sobre as ferramentas e os processos utilizados pelo estúdio. Dessa forma, simplesmente aumentar a quantidade de terceirizados não substituiria imediatamente a experiência perdida com as demissões.
O que muda para os jogadores de The Elder Scrolls Online?
Para quem acompanha o MMORPG, o principal impacto deve ser uma redução no ritmo de lançamento de novos conteúdos. Isso não significa necessariamente que The Elder Scrolls Online deixará de receber suporte, mas os planos anteriormente apresentados pela desenvolvedora podem precisar ser reduzidos, adiados ou reorganizados.
Entre as possíveis consequências para o futuro do jogo estão:
- Intervalos maiores entre atualizações importantes;
- Menor quantidade de conteúdo produzido simultaneamente;
- Revisões no planejamento apresentado para 2026 e os anos seguintes;
- Possíveis adiamentos de novos sistemas e funcionalidades;
- Maior dificuldade para manter a velocidade de produção planejada antes dos cortes.
Por enquanto, a ZeniMax Online Studios ainda não detalhou exatamente quais partes de seu planejamento serão modificadas. A declaração de Morgan Goin, entretanto, deixa claro que manter o ritmo anterior de desenvolvimento não parece mais uma possibilidade realista.
Os cortes levantam dúvidas sobre a estratégia da Xbox
A situação também coloca novas dúvidas sobre a estratégia da Microsoft para suas principais propriedades intelectuais. The Elder Scrolls está entre as franquias mais importantes do portfólio da companhia, enquanto The Elder Scrolls Online conseguiu transformar esse universo em um serviço contínuo de grande sucesso comercial.
Reduzir significativamente a estrutura responsável por um MMORPG estabelecido pode ter efeitos de longo prazo, principalmente em um mercado no qual jogos de serviço dependem de uma produção constante de conteúdo para manter suas comunidades ativas.
Para a ZeniMax Online Studios, o desafio agora será reorganizar sua estrutura e definir quais projetos ainda são viáveis com uma equipe menor. Para os jogadores, resta aguardar uma versão revisada do planejamento de The Elder Scrolls Online para entender exatamente quais conteúdos sobreviverão às mudanças.
O MMORPG deve continuar sendo uma peça importante dentro do ecossistema da Xbox, mas as declarações de antigos integrantes do estúdio indicam que o futuro do jogo será desenvolvido em um ritmo diferente daquele originalmente planejado.
Fonte: Wccftech
The Elder Scrolls Online
- Lançamento
- 04/04/2014
- Plataformas
- Google Stadia, Xbox Series X|S, PlayStation 4, PC (Microsoft Windows), PlayStation 5, Mac, Xbox One
- Gêneros
- Role-playing (RPG), Adventure
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