Ex-dev critica remake de The Last of Us Part 1 e diz que Naughty Dog “apagou seu trabalho”
Um ex-desenvolvedor de The Last of Us criticou duramente o remake Part 1, afirmando que a Naughty Dog apagou completamente o trabalho original ao recriar o sistema de combate e tratar a nova versão como definitiva.
O remake The Last of Us Part 1 voltou ao centro de um debate dentro da indústria. Desta vez, as críticas vieram de dentro: Benson Russell, designer de combate do jogo original de 2013, não escondeu sua frustração com a forma como a nova versão foi tratada pela Naughty Dog.
“Isso ainda me irrita”
Durante participação no podcast Kiwi Talkz, Russell foi direto ao comentar o impacto do remake:
“Ainda me irrita ao ponto de eu pensar: ‘vão se foder’.”
Segundo ele, o maior problema não é apenas refazer o jogo, mas apresentá-lo como a “versão definitiva”, o que, na visão dele, diminui o valor do trabalho original.
“Você deletou meu trabalho”
Russell explicou em detalhes técnicos o que foi perdido no processo de remake.
De acordo com ele, o novo jogo não apenas atualiza gráficos, mas substitui completamente sistemas fundamentais:
- Scripts de combate recriados do zero
- Spawns de inimigos refeitos
- Lógica de gameplay totalmente substituída
Para quem trabalhou no original, isso representa mais do que uma atualização é, segundo ele, uma remoção direta do trabalho feito anteriormente.
Diferença entre remaster e remake
Russell deixou claro que não é contra revisões de jogos antigos, mas faz uma distinção importante:
- Remaster: melhora técnica mantendo a base original
- Remake: reconstrói o jogo do zero
O problema, segundo ele, surge quando o remake passa a ser tratado como a versão principal, deixando o original em segundo plano.
Comparação com Resident Evil
Durante a entrevista, os remakes de Resident Evil foram citados como exemplo positivo.
Nesses casos, os jogos originais continuam coexistindo com as novas versões, sem necessariamente serem substituídos como a experiência “definitiva”.
Russell concorda que essa abordagem preserva melhor a história e o trabalho original.
Debate sobre preservação de jogos
A crítica também levanta um ponto maior: a preservação histórica dos jogos.
Embora o remaster de 2014 ainda esteja disponível, há incerteza sobre sua permanência a longo prazo, especialmente se a Sony priorizar apenas o remake.
Para Russell, isso representa um risco real de apagar contribuições importantes dentro da indústria.
Por que isso importa
O caso reacende um debate importante sobre autoria, preservação e evolução nos games.
À medida que remakes se tornam cada vez mais comuns, cresce a discussão sobre até que ponto é válido reescrever experiências clássicas e qual o impacto disso para os desenvolvedores que criaram os originais.
Fonte: GamesRadar+
Comentários (0)
Participe da conversa sobre este post.