Ex-executivo da Bungie diz que seus piores temores se confirmaram após aquisição bilionária pela Sony
Don McGowan, ex-conselheiro jurídico da Bungie e uma das figuras centrais na venda do estúdio para a Sony, afirmou que a desenvolvedora está se tornando apenas um "braço editorial" da PlayStation. As declarações surgem em meio ao fim do desenvolvimento ativo de Destiny 2 e rumores de novas demissões.
A Bungie atravessa um dos períodos mais delicados de sua história recente. Em meio ao anúncio do encerramento do desenvolvimento ativo de Destiny 2 e relatos sobre possíveis novas demissões, uma voz importante do passado do estúdio decidiu se manifestar publicamente sobre a situação.
Don McGowan, ex-conselheiro jurídico geral da Bungie e um dos responsáveis por conduzir a aquisição da empresa pela Sony Interactive Entertainment em 2022, afirmou que seus maiores receios sobre o futuro da desenvolvedora estão se concretizando.
Em uma publicação compartilhada no LinkedIn, McGowan criticou a direção que a Bungie tomou após a compra de aproximadamente US$ 3,6 bilhões, alegando que o estúdio está deixando de ser um criador de universos para se tornar apenas um braço operacional dentro da estrutura da Sony.
"Está se tornando exatamente o que eu temia"
Na publicação, McGowan demonstrou frustração com o atual momento da empresa e afirmou que gostaria de ter feito mais para preservar a identidade do estúdio.
Segundo ele, a Bungie está se transformando em algo muito diferente da desenvolvedora que ajudou a construir algumas das franquias mais importantes da indústria.
"Não estou feliz com o que se tornou um dos estúdios mais famosos dos games, e gostaria de ter podido fazer mais para mantê-lo vivo", escreveu.
O ex-executivo continuou afirmando que a Bungie estaria se tornando "um braço editorial que talvez faça um jogo de vez em quando, mas não um construtor de mundos".
A declaração chama atenção principalmente porque parte de alguém que participou diretamente das negociações que levaram à aquisição pela Sony.
Fim do desenvolvimento ativo de Destiny 2 aumenta preocupações
As críticas surgem poucos dias após a Bungie confirmar que o desenvolvimento ativo de Destiny 2 chegará ao fim após uma atualização final programada para o dia 9 de junho.
Embora os servidores permaneçam online e o jogo continue acessível aos jogadores, a decisão marca o encerramento de uma era para uma das franquias mais influentes da última década.
Lançado originalmente em 2017, Destiny 2 se consolidou como um dos principais jogos de serviço da indústria, acumulando milhões de jogadores e moldando tendências que influenciaram inúmeros títulos lançados posteriormente.
Possíveis demissões preocupam funcionários
A situação ganhou contornos ainda mais delicados após uma reportagem da Bloomberg indicar que novas demissões podem ocorrer dentro da Bungie.
Segundo o relatório, funcionários que não forem realocados para trabalhar em Marathon estariam sob risco de desligamento, embora a empresa ainda não tenha confirmado oficialmente novas reduções de equipe.
McGowan também comentou essa possibilidade em sua publicação, afirmando esperar que a atual reestruturação não resulte na perda de milhares de empregos.
Mesmo sem ser fã de Destiny, executivo reconhece impacto histórico da franquia
Curiosamente, McGowan admitiu que nunca foi um grande admirador de Destiny 2. Segundo ele, o fato de não gostar particularmente de jogos de tiro em primeira pessoa e considerar o universo do jogo excessivamente complexo dificultou sua conexão com a franquia.
Ainda assim, o ex-executivo fez questão de destacar a importância cultural do título.
Ele lembrou que Destiny 2 ajudou milhões de pessoas durante os períodos de isolamento social da pandemia de COVID-19 e destacou como a franquia influenciou profundamente a indústria dos games moderna.
Para muitos jogadores, Destiny não era apenas um jogo, mas uma comunidade, uma rotina e até mesmo uma forma de manter contato com amigos em períodos difíceis.
A aquisição da Sony tem sido marcada por turbulências
Quando a Sony anunciou a compra da Bungie em 2022, a expectativa era de que o estúdio se tornasse uma peça estratégica na expansão dos planos da empresa para jogos como serviço.
No entanto, os anos seguintes foram marcados por desafios.
Em 2023, a Bungie realizou uma onda significativa de demissões que afetou aproximadamente 200 funcionários. Desde então, o estúdio passou por diversas reestruturações internas.
Mais recentemente, a Sony registrou uma desvalorização de aproximadamente US$ 765 milhões relacionada aos ativos da Bungie em seus relatórios financeiros, sinalizando dificuldades no retorno esperado do investimento.
Marathon carrega o futuro da Bungie nas costas
Com Destiny 2 entrando em sua fase final de desenvolvimento e sem informações sobre novos projetos em produção, todas as atenções se voltam para Marathon, o próximo grande lançamento do estúdio.
O reboot da clássica franquia de ficção científica é atualmente o principal projeto da Bungie e poderá definir os rumos da empresa nos próximos anos.
Segundo informações do jornalista Jason Schreier, não há evidências de que um Destiny 3 esteja em desenvolvimento neste momento.
Isso significa que o desempenho de Marathon será fundamental não apenas para o futuro financeiro do estúdio, mas também para determinar qual será o papel da Bungie dentro da estrutura da Sony daqui para frente.
Enquanto isso, as declarações de Don McGowan servem como um retrato da preocupação crescente de parte dos veteranos da indústria com o destino de uma desenvolvedora que ajudou a moldar gerações de jogadores através de franquias como Halo e Destiny.
Fonte: GamesRadar
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