GameStop surpreende ao chamar jogos físicos de irrelevantes e declaração do CEO gera reação dos jogadores
Ryan Cohen, CEO da GameStop, afirmou que o possível fim dos jogos em mídia física não representa uma ameaça ao futuro da empresa. Segundo o executivo, os colecionáveis já geram mais da metade da receita da varejista, enquanto o software representa apenas uma pequena parcela do negócio.
O futuro das mídias físicas continua sendo um dos assuntos mais debatidos na indústria dos games. Em entrevista à Bloomberg Tech, o CEO da GameStop, Ryan Cohen, afirmou que o eventual desaparecimento dos jogos em disco é "totalmente irrelevante" para o futuro da empresa, indicando que a varejista já não depende mais da venda de jogos físicos para manter seus resultados financeiros.
A declaração acontece em um momento de grandes mudanças no mercado, impulsionadas pela decisão da Sony de encerrar gradualmente a produção de mídias físicas e pelo avanço da distribuição digital entre os principais lançamentos da indústria.
Colecionáveis já são o principal negócio da GameStop
Durante a entrevista ao jornalista Ed Ludlow, Cohen explicou que o software de jogos representa atualmente apenas 12% da receita da GameStop. Em contrapartida, a categoria de colecionáveis — que inclui produtos como Funko Pop, cartas Pokémon, pelúcias e itens licenciados — já responde por mais da metade do faturamento da companhia.
Ao ser questionado sobre o impacto do desaparecimento das mídias físicas e do mercado de jogos usados, o executivo foi direto:
"É totalmente, totalmente irrelevante."
A resposta reforça a estratégia adotada pela empresa nos últimos anos, que reduziu significativamente o espaço dedicado a jogos nas lojas para ampliar a oferta de produtos colecionáveis.
Lojas passaram por transformação nos últimos anos
Quem visita uma unidade da GameStop atualmente encontra um cenário bastante diferente daquele que tornou a rede famosa durante os anos 2000.
Prateleiras que antes eram ocupadas por lançamentos, consoles e jogos usados agora dão espaço para:
- Funko Pop;
- Cartas Pokémon TCG;
- Pelúcias;
- Estátuas colecionáveis;
- Produtos licenciados de grandes franquias.
Os jogos físicos continuam sendo vendidos, mas ocupam uma parcela muito menor das lojas em comparação com o passado.
Tentativa de comprar o eBay mostra nova direção da empresa
A declaração de Cohen também acompanha uma mudança mais ampla na estratégia da GameStop. Em maio, o executivo tentou adquirir o eBay, acreditando que a plataforma fortaleceria o posicionamento da empresa no mercado de itens colecionáveis e de revenda.
Embora a proposta tenha sido rejeitada pelo conselho do eBay, Cohen continua defendendo que esse tipo de negócio representa o caminho mais promissor para o crescimento da companhia.
Segundo o executivo, a reestruturação da GameStop já vinha acontecendo antes mesmo dessa tentativa de aquisição e ganhou força à medida que as vendas de software físico perderam participação no faturamento.
Comunidade critica posicionamento do CEO
As declarações rapidamente repercutiram entre os jogadores nas redes sociais.
Muitos consumidores apontaram uma contradição em ver uma empresa cujo nome é diretamente associado aos videogames considerar os jogos físicos pouco relevantes para seu futuro.
Entre as reações, alguns usuários chegaram a ironizar a fala de Cohen, comparando-a a situações hipotéticas em que empresas deixariam de considerar seus principais produtos importantes para o negócio.
Outros destacaram que a forte aposta em colecionáveis faz a GameStop parecer cada vez menos uma loja especializada em games e mais uma varejista voltada ao mercado de cultura pop.
Mercado caminha para um futuro mais digital
A discussão ocorre em um momento de transformação para toda a indústria. Grandes empresas vêm ampliando seus investimentos na distribuição digital, enquanto o espaço destinado às mídias físicas diminui gradualmente.
Esse movimento afeta diretamente redes varejistas que durante décadas dependeram da compra e venda de jogos usados. No caso da GameStop, porém, Ryan Cohen acredita que essa mudança já foi absorvida pelo modelo de negócios da empresa, que hoje concentra seus esforços principalmente no segmento de colecionáveis.
Embora o debate entre mídia física e digital continue dividindo opiniões entre os jogadores, a estratégia da GameStop indica que a companhia pretende construir seu futuro cada vez menos dependente da venda tradicional de jogos.
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