Designer deixa Ubisoft após Assassin’s Creed e diz que virou “só uma engrenagem”
Darenn Keller, ex-designer de Assassin’s Creed e Ghost Recon, deixou a Ubisoft para criar seu próprio indie e afirma que a mudança trouxe liberdade criativa e satisfação pessoal.
Trabalhar na Ubisoft em franquias gigantes como Assassin’s Creed e Ghost Recon pode parecer o ápice da carreira para muitos desenvolvedores. Mas para o designer francês Darenn Keller, a experiência acabou se tornando o oposto do sonho inicial.
“Eu era só mais uma engrenagem”
Keller trabalhou em projetos de peso como Assassin’s Creed Valhalla, Mirage e também em títulos de Ghost Recon.
Apesar do prestígio, ele afirma que o dia a dia dentro do AAA era marcado por frustração criativa.
Segundo o designer, a maior parte do trabalho não era criar, mas sim convencer múltiplas camadas hierárquicas de que uma ideia deveria existir.
- Aprovação por líderes
- Validação por diretores
- Decisões top-down
- Ideias descartadas no meio do processo
O resultado era uma sensação constante de não pertencimento dentro do projeto.
Pandemia agravou o desgaste
A mudança para o trabalho remoto durante a pandemia piorou ainda mais esse sentimento.
Sem a interação presencial, Keller relata que perdeu até o entusiasmo da rotina, o que acelerou sua decisão de sair do estúdio.
Do AAA para o indie solo
Após deixar a Ubisoft, Keller usou cerca de dois anos de economia para apostar no desenvolvimento independente.
Foi assim que nasceu Dawnfolk, um city builder de sobrevivência em pequena escala e visual charmoso.
Mesmo sem viralizar, o jogo vendeu cerca de 26 mil cópias, número suficiente para sustentar seu custo de vida.
Menos estabilidade, mais liberdade
Segundo Keller, o desenvolvimento indie é mais solitário, mas a liberdade criativa compensa completamente.
Sem múltiplos níveis de aprovação, ele consegue testar, iterar e ajustar ideias em alta velocidade.
Para ele, esse controle total mudou completamente sua relação com o trabalho.
Reflexo de um debate maior na indústria
O relato resume uma discussão cada vez mais frequente no mercado: o conflito entre escala AAA e autoria criativa.
Grandes produções oferecem recursos, segurança e alcance global, mas frequentemente diluem o impacto individual dos desenvolvedores.
No cenário indie, o risco é maior, porém a sensação de autoria e pertencimento costuma ser incomparável.
Fonte: GamesRadar
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