Capa: IA não vai substituir pessoas na Take-Two, garante CEO da dona da Rockstar Games

IA não vai substituir pessoas na Take-Two, garante CEO da dona da Rockstar Games

Strauss Zelnick, CEO da Take-Two, afirmou que a inteligência artificial deve ampliar a criatividade dos desenvolvedores, e não substituí-los. Enquanto concorrentes buscam economizar milhões com IA, a dona da Rockstar pretende usar a tecnologia principalmente para aumentar a qualidade dos jogos.

A utilização de inteligência artificial no desenvolvimento de jogos se tornou um dos assuntos mais controversos da indústria, especialmente diante das preocupações de que novas ferramentas possam ser utilizadas para reduzir equipes e substituir profissionais. Para Strauss Zelnick, CEO da Take-Two Interactive, esse não deveria ser o caminho.

Durante a apresentação dos resultados financeiros do primeiro trimestre do ano fiscal de 2027 da companhia, o executivo afirmou que tecnologias baseadas em inteligência artificial podem ajudar desenvolvedores a produzir projetos mais ambiciosos e melhorar a qualidade dos jogos, mas deixou claro que não acredita que essas ferramentas possam ou devam substituir a criatividade humana.

Take-Two diz utilizar IA há anos

Embora a inteligência artificial generativa tenha ganhado enorme atenção nos últimos anos, Zelnick afirmou que tecnologias relacionadas a IA e machine learning fazem parte das operações da Take-Two há bastante tempo.

Segundo o executivo, a empresa já trabalhava com essas tecnologias muito antes de inteligência artificial se transformar em um dos principais assuntos do setor.

A Take-Two também costuma adotar novas tecnologias antecipadamente para entender como elas podem melhorar seus processos e ajudar seus estúdios no desenvolvimento de jogos.

A companhia controla algumas das empresas mais importantes da indústria, incluindo Rockstar Games, 2K e Zynga, além de possuir aproximadamente 13 mil funcionários.

IA não deve substituir a criatividade humana, afirma CEO

Apesar de enxergar um grande potencial na tecnologia, Zelnick adotou uma posição clara sobre o papel que a inteligência artificial deveria ocupar dentro da companhia.

"Acreditamos que a tecnologia pode ampliar a criatividade deles, mas não acreditamos que ela possa ou deva substituir essa criatividade", afirmou o executivo.

Segundo Zelnick, as novas ferramentas devem facilitar o trabalho das equipes e permitir que profissionais criativos encontrem maneiras diferentes de inovar.

"A tecnologia deveria tornar mais fácil para nossas pessoas incrivelmente criativas inovarem. Para o bem ou para o mal, e eu acredito que seja muito para o bem, essas ferramentas não vão substituir ninguém", acrescentou.

Take-Two não pretende usar IA apenas para cortar custos

Um dos pontos mais interessantes das declarações envolve justamente a maneira como diferentes empresas estão enxergando a inteligência artificial.

Zelnick observou que alguns concorrentes estão anunciando oportunidades de economizar centenas de milhões de dólares por meio da implementação de IA. Segundo ele, essa não é a principal estratégia da Take-Two ao utilizar essas ferramentas.

Para o executivo, novas tecnologias historicamente tornam o desenvolvimento mais eficiente, mas isso não significa necessariamente que os custos finais dos projetos diminuam.

Em vez disso, essas melhorias permitem que os estúdios criem experiências maiores, mais complexas e com níveis superiores de qualidade.

"A história das novas tecnologias no negócio de entretenimento interativo mostra que eficiências realmente são criadas, e encontramos maneiras de fazer coisas cada vez maiores", explicou Zelnick.

O executivo acrescentou que essas tecnologias não necessariamente reduzem o custo de produção, mas podem aumentar significativamente a qualidade do produto final.

Declaração acontece em momento delicado para a indústria

As palavras de Zelnick ganham peso diante do atual cenário do mercado de games. A utilização de inteligência artificial se tornou motivo de preocupação entre artistas, programadores, roteiristas, dubladores e outros profissionais envolvidos na criação de jogos.

Parte dessa preocupação está relacionada à possibilidade de empresas utilizarem ferramentas automatizadas não apenas para acelerar tarefas repetitivas, mas também para substituir funções tradicionalmente desempenhadas por profissionais.

Ao mesmo tempo, grandes publishers procuram maneiras de reduzir custos de produção em uma indústria na qual jogos AAA estão se tornando cada vez maiores, mais caros e demorados para desenvolver.

A posição apresentada pela Take-Two sugere uma abordagem diferente: utilizar ganhos de produtividade para aumentar a ambição dos projetos, em vez de necessariamente reduzir o tamanho das equipes.

O que isso pode representar para jogos da Rockstar e 2K?

Zelnick não detalhou quais ferramentas estão sendo utilizadas nem revelou projetos específicos que estejam adotando novas soluções de inteligência artificial.

Portanto, não é possível afirmar como essas tecnologias estão sendo aplicadas individualmente dentro de estúdios como Rockstar Games ou 2K.

Entretanto, a filosofia apresentada pelo CEO indica que a companhia pretende enxergar a IA principalmente como uma ferramenta de suporte aos desenvolvedores.

Para os jogadores, a promessa é particularmente relevante porque a Take-Two possui algumas das maiores franquias da indústria. Se os ganhos de eficiência realmente forem direcionados para projetos mais ambiciosos, a tecnologia poderá ajudar seus estúdios a construir mundos maiores, sistemas mais sofisticados e experiências mais detalhadas sem necessariamente remover o elemento humano responsável pelas decisões criativas.

Por enquanto, porém, essa continua sendo uma declaração sobre a estratégia da companhia. O verdadeiro impacto da inteligência artificial sobre empregos, custos e processos de desenvolvimento somente poderá ser avaliado conforme essas tecnologias se tornarem ainda mais presentes na produção dos próximos jogos.

E você, concorda com Strauss Zelnick? A IA deveria ser utilizada apenas como uma ferramenta para ajudar os desenvolvedores ou acredita que ela inevitavelmente substituirá algumas funções na criação de jogos? Deixe sua opinião nos comentários!


Fonte: Insider Gaming

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